Mas um jogo em especial foi, na verdade, a “pedra preciosa” da empresa: Command & Conquer. Lançado em 1995 para os computadores da época (teve versões para alguns consoles), foi sucessor espiritual da franquia Dune (não na história, mas sim na jogabilidade). Foi o jogo responsável pela compra da Westwood pela Electronic Arts anos mais tarde. Uma das coisas mais marcantes é que, durante a campanha de qualquer jogo, você se depara com atores reais na tela para dar mais ênfase à história. A série é basicamente dividida em três “universos paralelos”, sendo cada universo com sua própria história distinta. Hoje falarei sobre a história original, mais conhecida como “universo Tiberium”.
O universo Tiberium é baseado em uma história meio maluca (não se preocupe, os outros universos também): um meteoro cai na Terra, bem próximo ao rio Tiber. Este meteoro trazia consigo uma substância alienígena que, ao entrar em contato com algo feito de carbono, rapidamente o absorvia e se multiplicava. Isso inclui praticamente qualquer ser vivo! Baseado então no lugar onde caiu, esta substância alien foi apelidada de “Tiberium”. Como é de se imaginar, o Tiberium foi se multiplicando por toda a Terra, pois entrou em contato com o solo e pouco a pouco a sua “área de alcance” foi aumentando.
A humanidade tinha então um perigo crescente. Mas, apesar de tudo isso, descobriu-se que a partir dele poderiam ser obtidos energia, armas e MUITO dinheiro. Daí nasce a Irmandade de NOD, organização fundada pelo maléfico, megalomaníaco, praticamente imortal e semi-messias Kane. Esta organização se dizia capaz de extrair o Tiberium do solo e obter suas riquezas (o Tiberium cristalizava qualquer minério rico no solo, facilitando sua extração), e assim o fez (muito à frente de qualquer grande organização científica). Só que, infelizmente, para alcançar todos os seus objetivos, a Irmandade de NOD se utilizava de ações terroristas contra aqueles que a confrontavam. Quase como o Talibã de hoje em dia, mas com um alcance global e muito (eu disse MUITO) mais dinheiro. Para combatê-los, a ONU fundou a GDI, ou “Iniciativa de Defesa Global” (Global Defense Initiative). A partir daí, podemos ter uma ideia do que será o game: NOD versus GDI.
A mecânica do jogo é bastante simples: construa sua base (barracas, fábricas de tanques, postos avançados, radares), busque Tiberium para conseguir mais dinheiro (construindo uma refinaria de Tiberium e caminhões capazes de coletar o minério), mantenha a sua base com energia suficiente (construindo estações de energia), construa defesas (vão desde casamatas com metralhadoras a torres gigantes lançadoras de raios mortais), defenda-se de ataques do inimigo e destrua-o (podendo usar bombas nucleares ou um canhão de íons lançado a partir do espaço). Faltou energia? Toda sua produção fica mais lenta e suas defesas são desativadas. Faltou dinheiro? Toda sua produção para até voltar a ter fundos. Mas claro, esta mecânica vai se aprimorando com o passar dos games…
O primeiro jogo, conhecido informalmente como “Tiberian Dawn”, contava, logicamente, o início da série. Seguindo o modo campanha, você escolhia em qual lado lutar: NOD ou GDI. Tenho que dizer que pessoalmente sempre adorei os NOD, pois tinham as armas e unidades mais legais. Sem contar que no final da campanha NOD, você simplesmente sequestra a super-arma inimiga (o canhão de íons), e tem a possibilidade de lançá-la em alguns monumentos: Torre Eiffel, Casa Branca, Big Ben e Portões de Branderburg. Considerado por muitos como o VERDADEIRO início dos jogos de estratégia em tempo real, inovou pela jogabilidade diferente e um modo novo de câmera, visto por cima de tudo, apelidado por muitos de “visão de Deus”. Pode ser baixado de graça no site da EA.
O segundo jogo, Tiberian Sun, nos traz um ambiente mais “cyber-punk”, com armas futurísticas, robôs gigantes, andróides, inteligências artificiais e mutações genéticas devido ao alastramento do Tiberium. Novamente, a história é baseada na luta GDI versus NOD, mas no final uma nova facção é descoberta: a inteligência artificial criada pelos NOD, chamada CABAL, que se rebela contra seus criadores e forma um exército de máquinas. O jogo inovou por oferecer gráficos mais bonitos em relação ao antecessor, mostrando gráficos 2.5D, digamos assim. Pode ser baixado de graça no site da EA.
O terceiro jogo, Tiberium Wars, nos leva ao retorno do maléfico Kane (derrotado nos jogos anteriores) e um planeta Terra totalmente devastado pelo minério parasita. O planeta chega a ser dividido por zonas: azuis (correspondentes a 20% da superfície terrestre), onde o Tiberium conseguiu ser um pouco controlado e a guerra praticamente não existe, sendo controlada pelos GDI; amarelas (50%), que são zonas com uma incidência moderada de Tiberium (basicamente regiões em desenvolvimento - o Brasil é uma delas), marcadas por décadas de guerras e dominadas pelos NOD; e vermelhas (30%), que são zonas muito perigosas, onde praticamente não há qualquer tipo de vida. Seguindo na campanha, você descobre que o planeta possui mais uma ameaça: os aliens Scrin, que vêm até o nosso planeta para se apropriar do tão aclamado Tiberium (e aproveitam para tentar acabar com a raça humana, claro). O jogo inovou por trazer gráficos fantásticos e poderes de suporte diversos. Foi o primeiro Command & Conquer no universo Tiberium totalmente feito pela Electronic Arts, após fecharem a Westwood Studios.
O quarto jogo, Tiberian Twilight, não gosto nem de falar que é um jogo da franquia Command & Conquer. Simplesmente não tem nada a ver com o resto da franquia! Você não coleta Tiberium, não precisa se preocupar com energia, dependendo de qual modo escolher você nem cria bases! E ainda por cima possui a pior coisa que inventaram em jogos de estratégia: controle de população. Antes de cada batalha, você escolhe o seu perfil: ofensivo, defensivo ou suporte. Daí você pode jogar APENAS com as unidades do perfil que você escolheu! Como falei semana passada, a Electronic Arts resolveu terminar com o universo Tiberium de uma forma horrível e sem sentido, fechando com uma chave de latão enferrujada em vez de uma chave de ouro. Simplesmente pegaram anos e anos de uma das mais aclamadas séries e colocaram no lixo, deixando mais fácil de se jogar.
Infelizmente, sinto que a EA fez uma grande “besteira” (pra não falar outra coisa pior) com o desfecho da série. Esperávamos muito mais! Será que é tão difícil seguir os passos da Blizzard em matéria de fazer um RTS moderno decente? Bom, por sorte ainda teremos mais da série Red Alert e, talvez, da série Generals. Sem falar em jogos de tiro, como o Command & Conquer Renegade
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